O que sou eu agora?
Quem sou eu depois de tudo, de lágrimas nos olhos, de mente vazia, mas tão, tão pesada?
De quanto serve viver, querer sentir, querer tocar, querer-te, só porque sim. Porque sim. Porque és o amor da minha vida. Porque tenho a certeza disso e sei que tu também tens.
Que se lixe a eternidade, o "para sempre", o "até amanhã". Quero um Hoje, um Agora. Quero-te ao meu lado. Quero tentar de novo, roubar-te um sorriso como quem oferece um doce a uma criança. Quero aprender a ser, a estar, a ser-te e a ter-te comigo, em mim, ao meu lado, contigo.
Deixa-me chegar um pouco mais perto.
Confessa.
Não...
...
Fica...
...
segunda-feira, 18 de março de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
O silêncio e a loucura
Escrito por
Célia
às
01:55
Descobre-se o silêncio
No meio da solidão,
Na dúvida incerta
Da palma da tua mao.
Descobre-se a raiva
Numa mente desperta
Numa porta aberta,
Mente fria e incerta.
Tenho-te a medo, com medo
Da noite, da fala,
Da vida, tenho-te.
Vasculho a alma e não encontro,
Descubro a calma e então a escondo.
Grito, por dentro, cá dentro
Grito.
De dor, de ódio.
Sacudo a água, a chuva, a mágoa.
Deixo-me ir.
Quem és?
Silêncio.
No meio da solidão,
Na dúvida incerta
Da palma da tua mao.
Descobre-se a raiva
Numa mente desperta
Numa porta aberta,
Mente fria e incerta.
Tenho-te a medo, com medo
Da noite, da fala,
Da vida, tenho-te.
Vasculho a alma e não encontro,
Descubro a calma e então a escondo.
Grito, por dentro, cá dentro
Grito.
De dor, de ódio.
Sacudo a água, a chuva, a mágoa.
Deixo-me ir.
Quem és?
Silêncio.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Aquela liberdade de criança
Escrito por
Célia
às
20:13
Como é bom brincar no brilho do mar, gelado, salgado, calmo.
Ser-se pequenino de vez em quando, correr só porque sim, rebolar na areia, sujar a roupa, rir e rir como se tudo conspirasse para sermos felizes.
Vou crescendo. Vejo outros traços no espelho, outros pensamentos, outras escolhas. Vejo-me ainda criança num corpo cada vez mais adulto, numa mentalidade cada vez mais... diferente.
Não quero esquecer-me de como é bom molhar os pés no mar de Inverno só porque é isso que me apetece fazer. Não quero esquecer-me da liberdade de se ser criança.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Devaneio: Sinfonia da Vida
Escrito por
Célia
às
02:00
É no silêncio que se descobrem os medos, que se encontram memórias, velhas e sujas, que se ouve o tempo, tic tac, tic tac, que teimou em passar tão depressa, tão devagar.
É na imensidão do silêncio que se alcança a sabedoria sobre nós próprios.
Caçam-se fantasmas, desenham-se sonhos, voa-se daqui para fora.
É também em silêncio que se têm as conversas mais importantes, que se debitam as palavras mais harmónicas e certas.
Mas... por vezes o silêncio magoa, enlouquece, muda, molda, queima, enfurece, esquece... mata e mói.
Qual é o teu silêncio? É aquele que me tira do abismo e me torna crente? Ou aquele que me empurra e me pisa e me deixa no esquecimento, na ausência de sons, no escuro?
Qual é o teu intento? Amar-me? Esquecer-me? Odiar-me, talvez?
Ensina-me a gostar do silêncio e eu ensino-te a viver com ele. Juntos, então, criaremos a sinfonia das nossas vidas.
domingo, 19 de junho de 2011
Perdida
Escrito por
Célia
às
22:40
Sabes aquela vontade de morreres por já não seres tu? Aquela sensação de que todo o mundo te usa para se sentir melhor, mas não se preocupam com as lágrimas que te caem pelo rosto sem que queiras.
Sabes quando olhas à volta e parece tudo mais complexo do que devia ser? Quando te sentes perdida e sem rumo, só porque te tiraram os melhores sentimentos que tinhas com simples palavras.
Esta vontade de deitar e dormir até que tudo passe, de simplesmente dizer “deixa-me em paz!”, esta vontade que me tira o sono e a fome, que me faz alimentar de água salgada dia e noite.
Como posso voltar a mim? Como posso sentir de novo que vale a pena mais um dia, que o que faço está correcto, que tudo vai ficar bem?
Como posso tornar tudo mais claro, ver quem está certo ou errado?
Só quero voltar a sentir que tudo faz sentido, que tudo vale e valeu a pena. Só quero não sentir este frio, nem esta dor no peito que quase me tira o ar. Só quero que tudo pareça de novo um conto de fadas, com cores e sonhos. Para onde foi tudo isso? O que é que eu faço para me sentir plena e feliz novamente?
Não sei.
Não sei…
terça-feira, 10 de maio de 2011
Meu amor
Escrito por
Célia
às
22:25
Já tivemos pegadas distantes e frias, em caminhos paralelos.
Já tivemos noites em claro, noites de Inverno que nos gelavam a alma, mas onde a troca de olhares acontecia sempre que olhávamos a nossa Lua lá no alto.
Do tanto que já tivemos, que importa o frio e a dor que nos paralisou, nos cegou ou nos fez vaguear por estas e aquelas ruas?
Hoje és, como sempre foste e sempre serás, o meu amor. O "amor da minha vida" como me lembro de te chamar há tantos anos. Mais do que aqueles que alguém consegue contar.
És uma parte importante de mim. És quem faz de mim alguém melhor todos os dias. És quem, pacientemente, caminha ao meu lado. Não, o caminho paralelo está hoje ligado pelas nossas mãos, por todos os sentimentos que por muito que diga jamais conseguirei explicar.
Sim, és o meu amor. Aquele que há tanto desejo, que sempre soube fazer parte de mim.
Sempre, para sempre.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
E hoje?
Escrito por
Célia
às
17:02
A sombra que foste de mim, hoje é o meu abrigo, a protecção que sempre quis e que tanto bem me faz.
O luto que deixaste, é hoje a cor que guardo na gaveta mais funda da minha alma, marcada com o rótulo "para não esquecer".
A saudade que me consumiu, é hoje a força de cada dia e cada hora contigo, é o valor que damos a cada momento, cada olhar, cada toque.
O medo, esse mantém-se e mantém-nos aqui, lado a lado, sem nunca mais virar as costas.
O respeito de antes, está hoje fortalecido, como se nunca um pingo de raiva ou rancor por nós tivesse passado.
Fazes de mim o melhor que sei ser. Fazes-me sorrir como não sabia conseguir, fazes-me brilhar como se jamais as nuvens cobrissem o céu.
Hoje, contigo, com lágrimas e sorrisos, em paz e com tudo o que temos. Para sempre?
Porque sim.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Acompanhas-me
Escrito por
Célia
às
05:07
Reflexos. Escuridão. Luz.
A mesma Lua que nos contempla noite após noite, que na sua remota inocência espalha luz por onde passa, iluminando caminhos e olhares como se fosse essa a sua missão.
Paz.
Eterna gratidão por cada momento, cada sorriso, cada lágrima, cada abraço e cada beijo, cada carícia, cada palavra. Com uma paz que me acompanha não sei como nem vinda de onde, debaixo desta luz que espelha tantos desejos, tantas horas de contemplação e esperança, sigo um caminho.
E Ela acompanha-me, tal como tu meu amor. Num caminho, numa vida e em tantos sonhos.
É bom não estar só. Obrigada também por isso.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Porque sim
Escrito por
Célia
às
21:30
Hoje temos o toque de duas mão perfeitas, temos o cheiro de dois corpos que se fundem naturalmente, temos a carícia de tantas horas em comum.
Hoje temos as palavras silenciadas por olhares, temos os olhares que expressam sentimentos, temos sentimentos que só nós conhecemos.
Hoje temos a paz que há tanto desejávamos, temos o desejo de que dure para sempre, temos todo o tempo do mundo para ser felizes.
E na saudade que estas palavras transportam, hoje e sempre, para sempre, tenho-te comigo.
Tu sabes.
Até logo.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Feliz Natal
Escrito por
Célia
às
03:46
Hoje escrevo só porque sim. Só porque sinto o coração leve e a alma em paz consigo e com o mundo.
Hoje escrevo porque faz sentido, porque sabe bem sentir o vazio a ser preenchido a cada dia, substituído pelo sentimento que julguei perdido e que tão bem me faz.
Não sou dona do tempo nem das escolhas desta vida. Na verdade, julgo ser dona de quase nada, apenas do que trago comigo, dos meus pensamentos e sonhos, das minhas ambições e conquistas, dos sentimentos... e até esses nem sempre controlo.
Conforta-me saber que sou capaz de amar um número certo de pessoas e que esse amor, seja em que forma se apresente, é retribuído e sentido. Alegra-me a certeza de que amores como estes não morrem, porque são importantes e especiais, porque têm um valor inestimável para mim, porque essas pessoas são acima de qualquer outra coisa Amigos, alguns irmão, companheiros de lutas, conquistadores nesta vida, protectores de todas as horas. E isto sim faz sentido e faz-me acreditar que é possível viver a felicidade.
Agradeço a cada minuto que passa esta dádiva. Não a eles, porque a estes um obrigada é muito pouco.
Fazem parte de mim.
Bom Natal.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O medo e o tempo
Escrito por
Célia
às
00:24
Ainda sinto medo do tempo, sabias?
Aprendi que ele não leva tudo da nossa vida. Aprendi que com ele posso aprender. Mas, ainda assim, tenho medo dele.
Medo que ele te tire de mim,
Medo que ele te prenda onde estás e não te traga nunca para perto de mim,
Medo que não tenhamos força para o enfrentar,
Medo de te perder...
Prometo que vou lutar contra este medo, todos os dias, a cada instante, vou tornar-me companheira de um tempo que insiste em estar presente na nossa vida e deixar que ele me guie como sempre fez.
Ajudas-me?
sábado, 20 de novembro de 2010
Portas e janelas
Escrito por
Célia
às
17:36
Abram-se portas e janelas, preencha-se cada espaço vazio, cada canto escuro, com o ar e a luz que tanta falta fizeram.
Abram-se portas e janelas para sentimentos há muito perdidos, escorraçados e vencidos, que hoje, na sua modéstia, retornam a casa de onde nunca foram esquecidos.
Abram-se portas e janelas porque preciso desse ar e dessa luz que me trazes, desse calor que torna tudo mais confortável.
E que o tempo seja um companheiro e não um inimigo, que nos ajude e nos ensine que muito mais perfeita do que a vida que vivemos perdidos nas escolhas passadas, será a escolha que em breve faremos.
Abre todas as janelas e deixa-me fazer parte dessa casa, como aos poucos também eu te torno parte da minha, de onde nunca saíste.
Volta como sempre voltaste, mas permanece, hoje e sempre. Tenho portas e janelas abertas para ti, tenho coração e alma prontos para te receber.
Ficas comigo?
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Sempre contigo
Escrito por
Célia
às
01:10
E, um dia, quando acordares, tudo isso será tão real, tão verdadeiro, tão teu.
Porque aqui comigo, tu também estás.
sábado, 2 de outubro de 2010
Da tua luz
Escrito por
Célia
às
22:10
No seu rosto, as lágrimas caiam como gotas de chuva num Inverno que chegara sem aviso, que permanecia dia após dia, ano após ano, tornando-se uma companhia quase necessária.
Os olhos, por vezes cegos por um nevoeiro constante que gelava o seu ser, temiam a busca por um sinal, uma luz que o guiasse e lhe trouxesse de novo um sentido para vida. É então que ela surge, como um farol, mostrando-lhe aquele tão desejado, mas tão temido, caminho. Ele segue-a na esperança de encontrar uma solução. Segue-a porque sim, porque já não consegue controlar os movimentos do seu corpo gélido e perdido.
- Vem comigo, mostrar-te-ei coisas nunca antes vistas, sentimentos nunca antes sentidos, acontecimentos nunca antes vividos...
E assim fez, aquela pobre alma, com um sorriso nos lábios e uma paz que há muito julgava esquecida, seguiu a voz amiga - angelical, assim pensara - e, cauteloso, caminhou.
Não era fácil o caminho que o esperava. Outras tempestades viriam, outros medos, muitas lutas. Mas decidiu arriscar.
Até quando?
Para sempre, dissera.
E enquanto esse sempre durar, enquanto fizer sentido, enquanto existir, assim será.
Até ao fim dos meus dias.
sábado, 28 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
O que sou
Escrito por
Célia
às
23:35
Falaram-me do passado, de como influencia a nossa vida presente, os nossos actos e gestos.
Falaram-me de como os ditos "bons exemplos" nos conduzem na direcção "certa".
Falaram-me ainda das mágoas que guardamos com o sofrimento que passámos em tempos, os quais tentamos incessantemente esquecer.
Pode ser a causa do que sou, pode ser por isso que sou, hoje, distante, desinteressada, sozinha, antipática, fria. Pode ser. Para mim não passam de desculpas. Culpar o passado que já não pode ser modificado, como forma de justificar o que somos. Não. Para mim não é assim. Sou o que sou, ponto.
O que posso fazer para as coisas correrem como tanto desejo? Veremos.
Seria melhor pessoa se tivesse crescido noutro meio? Talvez. Ou talvez não.
sábado, 7 de agosto de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Enigma das escolhas
Escrito por
Célia
às
22:37
Não é de uma escolha de iguais que se trata, nem sei se de escolha se pode chamar.
Ir ou ficar?
Esperar ou caminhar?
Caminhar ou parar?
Malditas mudanças estas que se avizinham e me deixam com medo, me reprimem por tanto me quererem ver agir. O que faço?
Escondo-me ou fujo? Avanço ou estanco?
Vou deixar o medo e arriscar, na esperança que seja esta a minha vez de sorrir e de brilhar, como há tanto anseio.
Deixa-me ir. Deixa-me sonhar. Apenas deixa-me... que eu vou.
Um dia.
Até um dia.
sábado, 26 de junho de 2010
Um lugar mágico
Escrito por
Célia
às
05:13
Gosto de pensar que existe um cantinho, um lugar de paz onde se pode respirar, onde é permitido sonhar sem dar explicações, sem perder tempo. Muitas vezes não sei onde esse lugar fica. É como se o perdesse de vista, como se já não conhecesse o mapa da minha vida e as indicações que me levam até ele.
Que lugar é este?
Não sei o seu nome, não sei sequer porque lá vou. Mas é lá que me encontro quando estou perdida de mim e do mundo, quando deixo de conseguir pensar no que é melhor, quando desespero de tal forma que nem o Sol me consegue iluminar a alma.
Neste sítio tudo é sagrado.
Que sítio é este?
É o recanto mais escondido de todos, onde a escuridão e a luz se fundem, onde o céu e a terra fazem parte da mesma matéria, onde não existe ar e todo o ar é demais, onde eu e eu nos tornamos uma, única, indissociável, completa.
Posso não me manter neste lugar mágico, mas voltarei sempre.
Que assim seja.
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Trapos
Escrito por
Célia
às
05:18
Movida pela raiva, pela dor, pela pena, tristeza, saudade, revolta e medo.
Fruto de devaneios perdidos e esquecidos de um "eu" que hoje não encontro senão em pinturas, em quadros pendurados num quarto velho e escuro.
Daí surgiram palavras escorridas, borradas e queimadas com sentimentos odiosos, pensamentos feios e tristes que debitei dia após dia porque era assim que me sentia. Um trapo, o resto de alguma coisa que julgava roubada, desaparecida ou perdida por aí. Um pedaço de nada que se arrastava na lama de Inverno e que, no Verão, ansiava por um raio de Sol que a fizesse acreditar na estrada que via à sua frente.
E hoje, onde vão esses tempos, essas letras que formaram palavras que foram deitadas aos sete ventos e que, agora, me fazem pensar no triste que fui? Onde está esta pessoa que antes sabia escrever a partir da raiva e que, agora, dificilmente consegue as palavras certas para libertar os seus pensamentos?
Parece-me o mesmo corpo, com contornos mais pesados, cores um pouco mais fortes. Espreitam os mesmos olhos, sentem as mesmas mãos, mas será o mesmo "eu"? Duvido...
De que serviria todo este bendito tempo, todos estes anos de loucura e de busca de sentidos se me mantivesse igual?
Hoje conta, hoje posso não conseguir escrever como antes porque já não me movo com o mesmo combustível, mas vale a pena assim. Vale como valeu antes, talvez mais.
Hoje consigo sentir-me melhor, desprezar o trapo que me fiz e bordar-me de flores e de cores que trazem até mim novos sonhos, desejos antigos e a esperança de um mundo que quero construir para mim.
Passo a passo.
Sozinha... ou talvez não.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
The lovely bones poem
Escrito por
Célia
às
23:35
"If I had but an hour of love,
If that be all it's given me.
An hour of love; upon this earth,
I would give my love to thee."
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Esquecimento
Escrito por
Célia
às
00:36
O que faz com que nos consigamos esquecer de pessoas, acontecimentos, momentos, sonhos, vontades?
Que mecanismo se gera dentro de nós, que selecciona o que fica para ser recordado, o que não sai do nosso pensamento e o que desaparece quase completamente?
Não acredito que no meio de tal complexidade, quando tanto desconhecemos daquilo a que chamam "mente humana", alguma coisa realmente se esqueça. Alguém realmente seja esquecido. E é a memória que muitas vezes nos faz acreditar naquilo que somos capazes e que permite que sejamos honestos, connosco e com os outros, sobre... tudo!
Como nos tornámos no que somos hoje, as pessoas que contribuiram para a nossa construção pessoal, os momentos difíceis que nos fizeram mais ou menos resistentes, os sonhos por que lutámos e foram derrotados, aqueles que conseguimos alcançar. Tanta e tanta coisa que fazemos e somos não teria o mesmo sentido se simplesmente nos esquecessemos de tudo.
O que é certo é que dou por mim a não me lembrar das razões para estar aqui, para saber o que quero - até para querer o que quero. Acho que, no fundo, sempre tive muito medo de um dia me esquecer de algo verdadeiramente importante na minha vida. Por isso escrevo, guardo fotografias que acompanham épocas distintas, papéis e mais papéis que relatam conversas antigas, simples pedaços de algo, por vezes estranho, que em algum momento teve o seu sentido.
Tudo isto torna físico o que tenho medo que se apague da minha mente. Porque do mesmo modo que não controlo as memórias, também o tempo, a distância, a loucura e os devaneios não são por mim completamente manipuláveis.
Ainda assim...
Posso não me esquecer de ti.
Posso não me esquecer do que fui e do que sou.
Posso não me esquecer dos meus sonhos.
Posso até tentar esquecer tudo isto... mas jamais conseguirei apagar, suprimir, extinguir uma vida, com tudo de bom e de menos bom que a caracteriza.
Mesmo que fuja...
Mesmo que fuja...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Um excerto...
Escrito por
Célia
às
15:11
"Espera só um momento, deixa que o silêncio perpetue os nossos momentos de perfeição, a comunhão das nossas almas em noites passadas em claro, em conversas ligadas por um fio invisível, o fio do desejo, daquele desejo duradouro e certo que o tempo não mata, só ajuda a cimentar, que a distância não destrói, só ajuda a alimentar.
Espera só mais um instante, até que a tua memória quente cristalize os nossos momentos e os preserve como um tesouro secreto por mais ninguém descoberto e cobiçado. Guarda bem estes instantes, num lugar qualquer entre a tua cabeça e o teu coração, que deve ser mais ou menos onde se situa a alma e espera que o tempo te diga se o que sentes vai crescer e dar sentido à tua vida."
Margarida Rebelo Pinto
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Encontrarei
Escrito por
Célia
às
23:13
Alguma vez desejaste ter a paz
Sem saber onde a procurar,
Onde a encontrar
E ainda assim ser capaz
De seguir sem olhar para trás?
Lembrar,
Uma e outra vez,
A vida que foi em tempos
Perfeita?
Qual perfeição esta dos tolos,
Que pensam ter a paz
E ser capaz
De lembrar.
Qual perfeição?
A minha.
Tola,
Que olha para trás e vê
A vida que teve, relembra,
Mas sonha e crê
Numa perfeição só sua.
Apenas minha.
Alguma vez sonhaste ter a paz
Na mão,
Debaixo dos pés,
No coração
E ainda assim ser capaz de recordar,
Acreditar
E ser feliz?
segunda-feira, 8 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Foste
Escrito por
Célia
às
04:12
Foste:
O que tive de bom
Um sonho
Um amigo
Uma esperança
Um abrigo
Um sorriso
Muitos sentimentos
Muitas lágrimas
Muita revolta
Muita saudade
És:
Uma parte daquilo que sou
Um sentimento
Um sorriso
Uma lembrança
Uma música
Um poema
Um livro
Uma flor
A distância
A saudade
...
Não vou deixar que sejas a raiva nem o ódio, o vazio ou o resto, o que sobrou.
Não vou rasgar as páginas escritas, não vou desligar a música, não vou acreditar no que não tenho.
Não te tenho. Ponto. E neste sentimento de não te ter, fisicamente, sobra-me tudo o que tenho.
És o que és. Foste o que foste. Isso pertence-me.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Esperança - Mário Quintana
Escrito por
Célia
às
00:30
ESPERANÇA
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Mário Quintana
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