domingo, 16 de maio de 2010

Lembrança... Time to grow



Lemar - Time to grow

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Trapos

Movida pela raiva, pela dor, pela pena, tristeza, saudade, revolta e medo.
Fruto de devaneios perdidos e esquecidos de um "eu" que hoje não encontro senão em pinturas, em quadros pendurados num quarto velho e escuro.
Daí surgiram palavras escorridas, borradas e queimadas com sentimentos odiosos, pensamentos feios e tristes que debitei dia após dia porque era assim que me sentia. Um trapo, o resto de alguma coisa que julgava roubada, desaparecida ou perdida por aí. Um pedaço de nada que se arrastava na lama de Inverno e que, no Verão, ansiava por um raio de Sol que a fizesse acreditar na estrada que via à sua frente.

E hoje, onde vão esses tempos, essas letras que formaram palavras que foram deitadas aos sete ventos e que, agora, me fazem pensar no triste que fui? Onde está esta pessoa que antes sabia escrever a partir da raiva e que, agora, dificilmente consegue as palavras certas para libertar os seus pensamentos?
Parece-me o mesmo corpo, com contornos mais pesados, cores um pouco mais fortes. Espreitam os mesmos olhos, sentem as mesmas mãos, mas será o mesmo "eu"? Duvido...
De que serviria todo este bendito tempo, todos estes anos de loucura e de busca de sentidos se me mantivesse igual?

Hoje conta, hoje posso não conseguir escrever como antes porque já não me movo com o mesmo combustível, mas vale a pena assim. Vale como valeu antes, talvez mais.
Hoje consigo sentir-me melhor, desprezar o trapo que me fiz e bordar-me de flores e de cores que trazem até mim novos sonhos, desejos antigos e a esperança de um mundo que quero construir para mim.
Passo a passo.
Sozinha... ou talvez não.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

The lovely bones poem

"If I had but an hour of love,
If that be all it's given me.
An hour of love; upon this earth,
I would give my love to thee."

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Esquecimento

O que faz com que nos consigamos esquecer de pessoas, acontecimentos, momentos, sonhos, vontades?
Que mecanismo se gera dentro de nós, que selecciona o que fica para ser recordado, o que não sai do nosso pensamento e o que desaparece quase completamente?

Não acredito que no meio de tal complexidade, quando tanto desconhecemos daquilo a que chamam "mente humana", alguma coisa realmente se esqueça. Alguém realmente seja esquecido. E é a memória que muitas vezes nos faz acreditar naquilo que somos capazes e que permite que sejamos honestos, connosco e com os outros, sobre... tudo!
Como nos tornámos no que somos hoje, as pessoas que contribuiram para a nossa construção pessoal, os momentos difíceis que nos fizeram mais ou menos resistentes, os sonhos por que lutámos e foram derrotados, aqueles que conseguimos alcançar. Tanta e tanta coisa que fazemos e somos não teria o mesmo sentido se simplesmente nos esquecessemos de tudo.
O que é certo é que dou por mim a não me lembrar das razões para estar aqui, para saber o que quero - até para querer o que quero. Acho que, no fundo, sempre tive muito medo de um dia me esquecer de algo verdadeiramente importante na minha vida. Por isso escrevo, guardo fotografias que acompanham épocas distintas, papéis e mais papéis que relatam conversas antigas, simples pedaços de algo, por vezes estranho, que em algum momento teve o seu sentido.
Tudo isto torna físico o que tenho medo que se apague da minha mente. Porque do mesmo modo que não controlo as memórias, também o tempo, a distância, a loucura e os devaneios não são por mim completamente manipuláveis.

Ainda assim...

Posso não me esquecer de ti.
Posso não me esquecer do que fui e do que sou.
Posso não me esquecer dos meus sonhos.
Posso até tentar esquecer tudo isto... mas jamais conseguirei apagar, suprimir, extinguir uma vida, com tudo de bom e de menos bom que a caracteriza.
Mesmo que fuja...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Um excerto...

"Espera só um momento, deixa que o silêncio perpetue os nossos momentos de perfeição, a comunhão das nossas almas em noites passadas em claro, em conversas ligadas por um fio invisível, o fio do desejo, daquele desejo duradouro e certo que o tempo não mata, só ajuda a cimentar, que a distância não destrói, só ajuda a alimentar.
Espera só mais um instante, até que a tua memória quente cristalize os nossos momentos e os preserve como um tesouro secreto por mais ninguém descoberto e cobiçado. Guarda bem estes instantes, num lugar qualquer entre a tua cabeça e o teu coração, que deve ser mais ou menos onde se situa a alma e espera que o tempo te diga se o que sentes vai crescer e dar sentido à tua vida."

Margarida Rebelo Pinto

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Encontrarei

Alguma vez desejaste ter a paz
Sem saber onde a procurar, 
Onde a encontrar
E ainda assim ser capaz
De seguir sem olhar para trás?

Lembrar,
Uma e outra vez,
A vida que foi em tempos
Perfeita?

Qual perfeição esta dos tolos,
Que pensam ter a paz
E ser capaz
De lembrar.
Qual perfeição?

A minha.
Tola,
Que olha para trás e vê
A vida que teve, relembra,
Mas sonha e crê
Numa perfeição só sua.
Apenas minha.

Alguma vez sonhaste ter a paz
Na mão,
Debaixo dos pés,
No coração
E ainda assim ser capaz de recordar,
Acreditar 
E ser feliz?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Será...


O nosso sonho.
Será...
A nossa cor.
Será...
Um pouco de ti, e de mim.
Será...
Uma aprendizagem.
Um sorriso.
Uma flor.
Será...
Um trecho da nossa vida, colorido, sonhado, desenhado...
E vencido.

(Porque sim)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Foste

Foste:
O que tive de bom
Um sonho
Um amigo
Uma esperança
Um abrigo
Um sorriso
Muitos sentimentos
Muitas lágrimas
Muita revolta
Muita saudade

És:
Uma parte daquilo que sou
Um sentimento
Um sorriso
Uma lembrança
Uma música
Um poema
Um livro
Uma flor
A distância
A saudade
...
Não vou deixar que sejas a raiva nem o ódio, o vazio ou o resto, o que sobrou.
Não vou rasgar as páginas escritas, não vou desligar a música, não vou acreditar no que não tenho.
Não te tenho. Ponto. E neste sentimento de não te ter, fisicamente, sobra-me tudo o que tenho.
És o que és. Foste o que foste. Isso pertence-me.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Esperança - Mário Quintana



ESPERANÇA



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mário Quintana

sábado, 16 de janeiro de 2010

Releitura da minha vida


Leio e releio todas as linhas aqui escritas até agora como se de um livro se tratasse e sinto-me como se, de repente, voltasse atrás no tempo, naqueles curtos momentos de leitura.
Escrevi quando me sentia triste, quando algo de bom acontecia, quando me apetecia, quando alguma conversa me levava a pensar em coisas nunca antes pensadas... Escrevia porque tudo isto se passava na minha vida e na minha cabeça como um torbilhão de emoção incompreendidas e inconstantes como eu própria.
Hoje não escrevo tanto como gostaria. Não é que já compreenda todas aquelas coisas ou não sinta necessidade em expulsar todas estas letras, palavras, frases, se calhar palavras sem qualquer sentido. Mas porque às vezes penso que não consigo, que já não sou capaz de escrever como antes. Verdade ou não, aqui estou eu, uma e outra vez a tentar escrever, fazê-lo de forma sincera e o mais pura como antes fazia.
É nestas releituras que vejo como não muda muito a minha visão da vida e das coisas que ela nos dá. Sinto-me quase como se voltasse às minhas raizes, como se fosse levada para um mundo que julgo tantas vezes esquecido.
Mais uma releitura em que rio e choro com o que escrevo e me escrevem. Porque me faz sentido, porque me recordo, porque existe razão em tudo aquilo. Porque afinal eu existo e sinto-me viva ao ler-me, ao rever-me em tudo aquilo. É como se uma parte de mim voltasse a brilhar e a dar sinais de vida.
Acredito que já não sei escrever com tal profundidade, sobre sentimentos que tive há dois, três, quatro anos atrás. Não consigo mais dedicá-los daquela forma e torná-los tão generalizáveis como eram - e ainda bem.
Mas ainda consigo dizer "coisas", sejam elas bonitas ou não, com sentido ou não, sentidas como sempre.
Compreendo melhor o que fui, o que sou e o que me fez mudar. Compreendo porque me tornei mais fria e mais distante, menos distante e mais paciente, tudo isto num percurso coincidente com o deste Blog.
Afinal ele serviu para alguma coisa. É quase como a minha Bíblia pessoal, onde procuro por sinais daquilo que eu fui para iluminarem aquilo que às vezes me esqueço de ser.
Que mais linhas se escrevam aqui enquanto for possível. :)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Bons tempos

Marjorie Estiano - As horas


Ana Carolina - Quem de nós dois

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Corrente de ar



Onde está aquele vento que levará os restos que insisto em guardar?
Por onde andará essa corrente de ar que abrirá de novo aquela janela velha, perra, que fechada se mantém dia e noite, com chuva, Sol, luar...
Parece que ando sempre à procura de alguma coisa. Procuro sempre, insisto-me em pensar que um dia encontrarei o príncipe encantado que dizem não existir, a luz no meio da escoridão quando penso que estou perdida, o caminho certo no meio de tantos, a ponte que me ligará ao que mais quero e que nem eu sei o que é. As certezas... as certezas que eu procuro constantemente.

Desta vez quero uma corrente de ar. Uma autêntica ventania que revolva todas as minhas certezas, tudo aquilo que planeei, tudo aquilo que acho que está certo, todos os meus hábitos!
Uma ventania que traga novos cheiros, novos olhares (escondidos nesses olhos), uma aragem forte que seja a mudança da minha vida.
Vou aproveitar um dos desejos para o próximo ano e pedir exactamente isto.
Que alguma coisa mude.
Que mude tudo!
Que seja diferente.
Que eu queira e consiga.
Que valha a pena. E que eu saiba... sim, que eu saiba.

sábado, 12 de setembro de 2009

Colbie Caillat - Breakthrough

Why is it so hard
It was so long ago
I don't know where to start or what to say to you
I've been all alone needing you by my side
But its not too late
Maybe we just needed time
Can we try to let it go?
If we don't than we'll never know
I try to break through but you know that its up to you

We say that time is meant to heal
But it still hurts inside
I wish that none of this was real
cause we're so far behind

You've been all alone
Needing me by your side
But its not too late
Maybe we just needed time
Can we try to let it go
If we don't than we'll never know
I try to break through
But you know that its up to you

And i know that our love can grow
But this damn river needs to flow
I will try to break through but you know that its up to you

Its time to make a stand
Maybe it won't last
But we should take this chance

Can we try to let it go
If we don't than we'll never know
I try to break through
But you know that its up to you
I know that our love can grow
When this damn river needs to flow
I will try to break through
But you know that its up to you

I'll try to break through but you that its up to you
I'll try to break through but you that its up to you

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

I need you to be happy

Recomeçar

Tal como o Sol nasce, metaforicamente, a cada dia.
Tal como uma história só chega ao fim quando, realmente, a terminamos.
Tal como o Mundo gira, compassadamente, debaixo dos nossos pés.
Vou recomeçar.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Procuro no escuro... e sorrio

Do escuro surge a vontade de agarrar algo invisível mas forte, o suficiente para me manter alegre, sorridente, como me quero ver daqui para a frente.
Tento manter a mão estendida para o que vem. Falam-me de medos escondidos, de sentimentos reprimidos que me tornam céptica, porque não amarga... mas que ainda assim fazem parte bem vincada do meu ser.
Mantenho a mão estendida em busca daquele alguém que me salve destes medos, que me leve a descobrir um mundo novo, a quebrar muros e barreiras como mais ninguém fez.
Do escuro ouço uma voz longe no tempo, longe também no espaço. Corro para ela e deixo de a ouvir.
"Mantém a calma" - diz-me ela.
E assim faço. Paciência mais uma vez.
É então que descubro um brilho. Quero compreender do que se trata mas a visão está turva como tantas vezes já a mantive. Esforço-me mais um pouco e encontro uns lábios, uns olhos que me sorriem com suavidade. Pisco para ter a certeza que não estou a sonhar. Olho mais uma vez e lá estão eles.
Sinto uma mão que me toca com carinho... que me leva daqui sem nada pedir em troca.
Deixo-me levar e mantenho na face aquele sorriso, o que me faz viver.
E vivo. Hoje, amanhã e mais um pouco.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Relembrando...

Momento para relembrar como se escreve e para sentir como é bom quando escrevo coisas que me saem algures da alma e não propriamente da mente.E por relembrar, relembro nesta foto uma viagem marcada por descobertas, conhecimentos (de mim e dos outros) e tantos outros sentimentos que jamais imaginei ter naquilo que se parecia com mais um passo no meu percurso académico. O que foi. Mas principalmente foi mais um passo na minha vida, na construção de mim e na minha forma de encarar o mundo e as pessoas. Afinal há muito mais fora desta bolinha de cristal em que me fechei algures num tempo que não me recordo. Existem pessoas, culturas, línguas, esculturas, monumentos, momentos, locais... tanta e tanta coisa que passou mas não foi de passagem.
Agora acredito nas marcas profundas que a profundidade de um instante pode deixar em mim. São marcas de pessoas diferentes que tiveram uma constante presença durante duas semanas e que me ensinaram pequeninas coisas que não vou esquecer. Ensinaram-me que se pode gostar de um desconhecido apenas pela partilha de emoções, ensinaram-me que não faz mal não se compreender quando um sorriso vale como língua universal. E sobretudo ensinaram-me ou relembraram-me como a partida e a despedida são difíceis quando mais uma vez não é possível dizer "até amanhã". Porque o "amanhã" pode ser daqui a muito tempo, talvez nunca mais...
Relembrando a célebre Pont d'Avignon, metade destruída, é assim que me imagino. Não metade destruída, mas uma metade por construir. Mais um tijolo se acrescentou, mais umas gotas de água foram incluídas num rio que não pára de correr. Mais uma vez me senti capaz de voar e de sonhar como fazia antes.
Mesmo sabendo que não verão estas palavras, obrigada pela presença, pela partilha, pelo carinho e atenção destes dias. Obrigada a alguém que me possibilitou esta experiência.
E Obrigada a Ti por estares presente sempre na minha vida.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Reencontro dos sentidos

Dou por mim a pensar em como todos os meus sentidos se vão com o tempo. Já não sinto o palpitar, o aperto no estômago, a vontade de gritar bem alto para toda a gente ouvir, a tontura que teima em me adormecer e contra a qual luto para manter os meus olhos bem abertos.
Dou por mim a pensar em como tudo isto se esquece (ou arrefece em nós), a ponto de pensar que desapareceu e não volta mais.
Mas então ele aparece, à distância, e a sua presença é inconfundível. Num instante, tudo volta: a dor, a saudade, a revolta, a vontade de correr, abraçar, beijar, agarrar, prender e amarrar com as cordas mais fortes para que não fuja e não leve de mim todos os sentidos.
Não são precisas palavras nem olhares, toques ou carícias.
A presença pura e simples é suficiente para despertar do sonho encantado tudo aquilo que gosto de sentir.
Quem me dera que não adormecessem mais para que pudesse sempre acreditar. Mais do que agora. Mais do que ontem.
Amanhã?

domingo, 22 de março de 2009

Donna Maria - Foi Deus

Homenagem à noite de ontem em Alenquer.

Donna Maria, uma grande descoberta.

domingo, 8 de março de 2009

Foge-se do medo

Fugi por medo.
Pela primeira vez fugi de algo que me assustou, simplesmente virei costas e parti.
Pela primeira vez não confrontei o medo e me magoei só mais um pouco.
Pela primeira vez afastei-me realmente daquilo que amo apenas porque me assustei, porque não tive coragem.
Poderá ser um pequeno sinal? Poderá significar mais do que aquilo que foi?

Não há mais nada a dizer?

Dói. E mais uma gota foi derramada.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

...que escapou


Abriu-se mais uma vez esta mão que luta e que se defende da dor que lhe causam a cada estalada.
Desejou encontrar um pouco de sentido, encontrar-se, em fim, naquilo que é e que por vezes esconde sem saber porquê.
Não foi tocada, agarrada nem amada. Foi apenas vista de relance, reconhecida no meio da poeira que a tornava esquecida, mesmo sem esquecer as dores que já teve.
Foi só um passo, mas normalizou.
Devaneios de uma mão sem dono que se escapou!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Uma mão

Uma mão cheia de sonhos, carregada de desejos e ambições.
Uma mão cheia de frases, sufocada por cada sopro de silêncio.
Uma mão cheia do que te quero dar, atolhada de ideias, de palavras, de carícias... uma mão que desespera por ser tocada, sentida, amada.
Fecha-se por medo, em sinal de luta, em forma de defesa. Abre-se a quem dela precisa, dando o que tem e o que não tem por um significado lógico de existência.
Não pede, anseia.
Não anseia, deseja.
Não deseja, sonha.
Sonha, sonha... e acorda de novo só, fria...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uma última vez

Só mais uma lágrima derramada no desespero de um momento de fúria, de um momento de desamor, de um momento de solidão profunda.
Uma gota caída numa imensidão de cores que podiam ser marcas tuas mas já não são. São marcas do passado que deixou de existir agora e que me fez perceber a velocidade do tempo.
A espera nada importa, os sonhos transformaram-se num fumo disperso e dispersamente perdido no meio do nevoeiro que nos circunda.
Sinto frio, sinto medo do maior medo que tenho e que é a solidão. Enrosco-me em mim na esperança de que uma chama se acenda e arda por nós, arda por ti e me ilumine o caminho em frente, transformando o passado numa pesada sombra. Sim, numa sombra, aquela que me persegue há tanto tempo e da qual me preciso soltar.
Deixo cair uma última lágrima na esperança que seja definiva.
Não vou esquecer, recordarei às vezes, mas por agora preciso de viver.
Até um dia.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Voz do coração

Tentei descrever momentos por palavras que não me soaram correctas.
Tentei nomear sentimentos que pudessem descrever esses momentos e o seu significado.
Contudo, todas essas palavras me pareceram poucas. Como se houvesse muito mais do que isso a dizer, como se todos os adjectivos, verbos e substantivos que pudesse arranjar fossem mais que poucos para definir, nomear, descrever um, ou tantos momentos.
Decidi então tentar escrever.
"A voz do coração".
Imagina-te na praia, num final de tarde, quando todos os sentidos estão activos.
Ouves o mar, sentes o sabor a sal nos lábios, observas um misto de cores produzidas pelo pôr do Sol, sentes a areia fina entre os dedos e aquele cheiro inconfundível que só o Mar nos traz.
Transporta todas estas sensações para um momento, uns curtos minutos em que o que está à tua volta deixa de importar, em que a única coisa que consegues escutar é um palpitar certeiro, como os ponteiros de um relógio. Podia ser o relógio do tempo, mas não.
Então, num instante mágico, deixas de ver, sentir, ouvir, saborear ou distinguir qualquer odor. Mas, curiosamente, tudo parece completo. Tão ou mais completo como naquele final de tarde na praia.
É nesse momento que "a voz do coração" se faz ouvir.
E ela fala, conversa em silêncio, partilha... compõe uma sinfonia única. Como se mais nada fizesse sentido senão aquilo.
O que senti?
Não sei.
Um misto de areia e sal, Sol e Mar... Um misto de tudo aquilo que foi, é e continuará a ser, enquanto o Mar e o Sol, o sal e a areia existirem para nós, tudo isto existirá para mim.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tábua

Porque o tempo para escrever neste momento se restringe a trabalhos académicos ou apontamentos para exames, há que aproveitar cada momento, por curto que seja, para partilhar plenamente este dom que é a escrita.
Foi num dos momentos de pausa e devaneios de estudo que este poema se construiu.
Foi numa experiência partilhada por três pessoas que sonham, que vivem, que querem uma vida e um mundo, que lutam por eles com tudo o que têm.
Acima de tudo, foi construido por três pessoas que acreditam e deram um pouco de si em cada verso deste pequeno "sonho", deste pequeno tudo transformado em palavras.



Tábua

Um encontro para novos,
Sábios ou sabedores,
De horizontes longínquos
Onde a madeira não apodrece!

Tempos passados
À volta de uma mesa,
Copos vazios,
Poeiras sentidas,
Partem-se e voam daqui

Prazeiroso, até!
Uma tábua de sonhos
Partida e vivida,
Reconstruida
E nunca reconhecida!

Um encontro de velhos,
Ignorantes ou mudos,
Conhecem-se pelas falhas
Do chão debaixo dos pés!

Velhos esquecidos no tempo,
Encontrados por novos caminhos,
Os caminhos repetidos,
Esquecidos outrora!
Contudo repetidos
Pelos novos.

Novos velhos,
Velhos sábios,
Sábias tábuas,
Caminhos perdidos!

Encontros desencontrados,
Vidas vividas,
Por novos e velhos
Sábios e sabedores
Por tábuas nunca antes esquecidas
E versos de um velório que vê morrer
Para nascer algo novo!
Por:
Ana Rita Faria
Bruno Almendra
Célia Monte

domingo, 16 de novembro de 2008

Serei capaz?


Serei capaz de pisar o mundo com firmesa, com a dor de cada pedra afiada, o frio de cada passo?
Serei capaz de caminhar por estradas lisas, estradas lisas e incertas que construo, que vejo construir-se à minha frente.
Serei capaz de andar por aí sozinha, de sentir entre os dedos a sensação de uma areia fina e molhada que me faz querer ficar... mas não fico.
Serei capaz de seguir, de pisar com firmesa o chão dos sonhos, levitar na pressão dos obstáculos, querer mais e mais, correr para chegar e lá ficar.
Serei capaz?
...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Segredo


O segredo esconde-se no silêncio,
no escuro,
na luz que encandeia,
no fogo,
no ar,
nos sentidos,
na alma,
na vida...
de quem o guarda.


O segredo guarda-se no coração,
no sossego,
no impulso do momento,
na história,
no hábito,
na vida...
de quem o tem.


O segredo suporta-se, vive-se?
E quem o tem... sorri.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Deixa-me seguir...

Continuas a palmilhar este caminho tão antigo como eu e tu, desejando ficar e ficar por saudade, por carinho, por esse "muito mais" que dizes existir.
Não sei se consigo ter-te aqui, a caminhar por onde já não te via, por onde me tinha habituado a sentir um vazio, oco, frio e desnudo do que de ti cá esteve.
Queres um "hoje" e um "amanhã"... Posso negá-lo?
Posso negar qualquer coisa para que me sinta bem?
Tanto desejei a tua presença e hoje, aqui e agora, não consigo habituar-me a ela.
Será errado?
Só queria que não fosse assim, que não me sentisse desta forma, que não houvesse tanta coisa por dizer e por sentir.
Só queria que fosse noutra altura...
Talvez um dia...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Como eu gostava



Como eu gostava de puder sentir aquele amor como antes...
Um amor de palavras
de gestos,
de olhares,
de cheiros,
de toques,
de beijos,
de abraços
de amor.
Como eu gostava de puder sentir aquele amor de novo
Um amor partilhado
sentido,
vivivo,
encontrado,
perdido,
roubado
por ti.
Como eu gostava de puder dizer e sentir, amar e partir - contigo.
Aqui.